A campainha acabara de tocar, avisando que o elevador tinha chegado ao meu andar de destino. Estava sozinho. A porta se abriu. E antes mesmo que pudesse sair, um susto: me deparei com uma figura baixinha e obesa – apresentadora famosa da TVE por sinal – que estava obstruindo a passagem. Quase trombamos. Decidi, então, segurar a porta para que ela pudesse entrar. Educadamente, perguntei:
- Vai subir?
Para minha surpresa, em vez da resposta, recebi alguns olhares bastante suspeitos. Um tanto quanto malignos, diga-se de passagem. Nada além disso.
- Vai subir?, perguntei pela segunda vez. Novamente, mais olhares. A apresentadora obesa continuou parada. Não respondia nem dava passagem.
- Vai subir? – insisti, ainda segurando a porta do elevador e o pouco de paciência que me restava.
Nada. De novo. Sem esperanças, retribui as palavras, ou melhor, sua ausência. Calei-me, larguei a porta do elevador e sai. Foi quando percebi que a apresentadora obesa não estava sozinha. Simpática, a mulher que a acompanhava – uma espécie de tradutora - , enfim, respondeu:
- Não, ela vai descer!
Ja no corredor, respondi com um “ta”. A apresentadora obesa continuou calada. A porta do elevador se fechou. E fui embora...
* * *
Isso me lembra os tempos em que frequentava a igreja evangélica. O pastor dizia que, para falar com o todo-poderoso, antes tínhamos que falar com Espírito Santo ou seu filho, Jesus. Já no caso da Igreja católica, o intermediário seria um dos santos. Sei não... mas... será que tem gente achando que é Deus ou isso é só impressão minha?
23.9.07
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