PUC, Rio de Janeiro. Durante uma das aulas de jornalismo, o professor perguntou à turma:
- Alguém sabe por que livros como “O caçador de pipas” fazem tanto sucesso no mundo inteiro, mais especificamente aqui no Brasil?
A indagação fazia parte de uma aula cujo assunto tratava do imaginário da sociedade. “Em detrimento de um conjunto de imagens particulares de um povo, o fenômeno da globalização juntamente com a banalização de certas imagens acabaria por fazer com que todo o planeta tivesse a mesma memória fotográfica” – explicava o professor.
A pergunta logo me remeteu a uma de minhas viagens aos Estados Unidos. Um dos cenários do parque temático que visitei era justamente a Arábia de Aladim. O local estava tomado por uma música ambiente tocada por flautas, sons de cobras, tendas, vasos de barro e figurantes no melhor estilo Alibabá. Tudo isto me fez remontar o antigo estereótipo de “uma terra distante e cheia de mistérios”.
Concluído o pensamento, respondi ao professor:
- Talvez porque ainda desconhecemos a cultura local daquele povo... talvez por se tratar de algo curioso, inspirador, enfim... EXÓTICO! ( Tentei não usar essa palavra, mas era a única que melhor resumiria nossa visão limitada sobre outras culturas. )
“Mais alguém teria mais alguma explicação para `O caçador de pipas` ser um best-seller aqui no Brasil?” – perguntou novamente o professor.
Dessa vez, o silêncio foi quebrado por uma voz feminina proveniente do fundo da sala:
- Porque saiu uma matéria na revista Veja, oras!
O silêncio se fez novamente na sala. Certamente, poderíamos pensar que se tratava de uma ironia, quem sabe. A convicção com que a aluna falou, no entanto, não me deixou dúvidas: aquilo era realmente a cena mais exótica que já tinha presenciado até então. Pior do que qualquer Arábia de Aladim!
6.5.07
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Um comentário:
A resposta da sua coleguinha remete à velha polêmica do Tostines: vende mais porque saiu na Veja ou saiu na veja porque vende mais? Eu, por via das dúvidas, daria um voto de confiança à menina do fundo da sala. O povo do fundo da sala costuma ser mais irônico e perspicaz do que a gente imagina. Mesmo que seja involuntariamente...
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