16.9.05

O que isso tem a ver?


A aula, ou melhor, o monólogo prolixo e redundantemente redundante de Teoria Política é sempre animado, principalmente quando realizado na sexta-feira, às 7h. Enquanto alguém (diga-se passagem, EU) lê jornal, outros alunos dormem ou fingem (ou tentam) prestar atenção...

Mesmo assim, nesse horário, não há quem agüente. Apesar de usar o jornal para me distrair, o sono logo vem... Como bom aluno que sou, a fim de afastar essa preguiça, que só vem nas horas mais inconvenientes, resolvi ser mais participativo. Quem sabe ao incitar um debate com a turma, relacionando a matéria com o que lemos nos jornais, não tornaria o assunto mais interessante, mais próximo e, de certa forma, mais aplicável ao nosso cotidiano. Um Dia, então, perguntei:

- Professora, as pessoas de favela têm medo dos traficantes mais pelo poder político (aquele que utiliza a força) que exercem do que pelo ideológico ou econômico, concorda?

E ela respondeu (com a maior boa vontade):

- Ah.... (3 minutos de silêncio) Bem... (mais 2 minutos) É... (1 minuto e meio) Favela não é minha área de atuação. Eu prefiro não arriscar uma resposta.

Na aula seguinte, (ainda utilizando a mesma tática para quebrar o monólogo) uma nova tentativa:

- Professora, você acabou de dizer que uma das primeiras condições para que um Estado seja soberano é a manutenção da ordem. Em virtude disso, será que você poderia analisar rapidamente a situação atual do Iraque?

E, para minha surpresa, a resposta:

- Ah.... (3 minutos de silêncio ) Bem... (mais 2 minutos) É... (1 minuto e meio) Iraque não é minha área de atuação. Eu prefiro não arriscar uma resposta.

Por um momento, senti raiva.

“Será que ela só lê no jornal quem ganhou nota 10 e nota 0 ?”, perguntei a mim mesmo.

Esse sentimento, porém, logo passou. Foi quando percebi o quanto havia sido inconveniente ao fazer aquelas indagações.

“Talvez eu devesse fazer perguntas mais inteligentes. Iraque, favela... Enfim, essas não são minhas áreas favoritas de estudo, tampouco de atuação. Também não pretendo me tornar especialista nisso” - pensei.

A partir daí, decidi ser mais justo com ela e não forçá-la a falar sobre esses assuntos. Afinal, o que isso tudo isso tem a ver com política, não é mesmo? Iraque? Não sei nem onde fica; é muito longe! Favela?! Putz! Tão distante da nossa realidade burguesa da Zona Sul. Aquele povo que mora lá... um bando de animais! Quem liga? E, até onde sei, política é feita por gente!

Bem, o fato é que achei melhor eu parar de ficar perguntando essas inutilidades. Resolvi seguir aquele velho ditado: “se for para falar (ou perguntar) merda, é melhor ficar calado.” Foi por isso que eu desisti de participar da aula e voltei a ler o meu jornal, quieto, na minha, como sempre...

3 comentários:

Anônimo disse...

depois reclamam q nós, alunos, nao temos conteúdo....

ps: assiste uma aula do yuri! ele é bom!

Anônimo disse...

Quanto às favelas, posso lhe dizer que o poder paralelo, como é chamado, exerce força coercitiva sobre as pessoas que lá residem. De fato, eles criaram um "novo estado" gerenciado pelos traficantes.
Quanto à situação do Iraque, creio que uma análise minha não vá esclarecê-lo. Lá ocorreu uma guerra, logo a concepção de estado muda. Não há como ser soberano no meio daquele caos. Somente com o tempo a barbárie deixará este país.
Estou um pouco enferrujada, mas já estudei ciência política. O pouco que me lembro é insuficiente para esclarecer esses tópicos.
bjs

Victor Barroco disse...

Debora,

se pudesse trocava de prof. agora é tarde!


Neide,
vou mandar seu comentário pra professora. quer vir dar aula no lugar dela? rs rs rs

Qual sua opiniao sobre o post?